No processo de reclusão voluntária a que me submeti, vez por outra esqueço como é bom sair da caverna e me divertir. E falo de realidade e não de usar o cinema ou a literatura como escapismo. Dia desses fui ao shopping com a Solange. Fazia tempo que não me divertida tanto. Andamos pelas lojas que gostamos, compramos pequenos mimos, lanchamos, tomamos sorvete, café, e claro, fizemos piada uma da outra, talvez eu mais dela que ela de mim. Voltei alegrinha para casa, sentindo, mesmo que por breves instantes, que a vida tivesse retrocedido e eu fosse ainda aquela mulher tão cheia de alegria e desprendimento que hoje sinto não ser mais.
Hoje tive um revival. Numa conexão por Brasília, Viviane me concedeu a alegria de passar duas horinhas por aqui. Fomos ao shopping, almoçamos juntas, e também, por breves momentos, experimentei a sensação de pertencimento. De integrar o mundo, já que na maior parte do tempo eu assisto a vida passando e isso me incomoda e faz sofrer.
Eu sempre tive a sorte de ter bons amigos, e sem desmerecer as outras pessoas que amo, Solange e Viviane, são, com certeza, as pessoas com quem consigo estabelecer a mais absoluta conexão. Não que haja apenas concordância entre nós. Não que nunca tenhamos tido arestas para aparar, mas preciso reconhecer que são as pessoas que melhor me conhecem e que sempre, em todas as ocasiões, me acolheram de maneira absoluta e irrestrita. É para elas que corro para contar as alegrias, tristezas, as surpresas e decepções. É com elas que me permito ser, da forma mais intensa, eu mesma. Sem retoques.
Conhecendo a Solange, como penso conhecer, parece um milagre, que a despeito de nossas incríveis diferenças, possamos nos gostar tanto. Eu não costumo parar para pensar em outras vidas, não sou uma pessoa que se preocupa em desvendar esse tipo de mistério, mas sinto como se nossos destinos tivessem sido “traçados na maternidade”. É como se em todas as vidas que tivemos, se as tivemos, nossos caminhos tivessem se cruzado de alguma maneira.
No caso da Vivi o sentimento é ainda mais intenso, pois eu sinto por ela um misto de amor de mãe e de irmã. Não consigo nos ver como tia e sobrinha, mas como almas gêmeas. Nós temos opiniões muito próximas, uma cumplicidade que seria difícil explicar à luz da razão. Em algumas situações nossas histórias se misturam e sempre aprendo com ela, apesar de achar que devia ser o contrário. Para o dissabor de meu irmão, somos o que ele chama de “malucona” e “maluquete”. Duas faces da mesma moeda. É provável que ela esteja em franca desvantagem nessa comparação, mas me orgulho de nossas semelhanças e espero que a vida me permita ser cada vez mais como ela.
Sempre que possível essas páginas servem para expressar meu reconhecimento às pessoas que amo. Não sei que mérito isso representa para vocês, mas tenham certeza de que estão no topo do ranking do meu amor. Pode ser brega. Pode ser lugar comum, mas é sincero.






